“Meu nome é fruto de muita conversa e construção coletiva”, garante Weverton Rocha

Blog do Glaucio Ericeira dá sequência à série de entrevistas com os pré-candidatos ao Senado.

O bate-papo desta semana é com o deputado federal e presidente do PDT no Maranhão, Weverton Rocha.

É consenso entre os membros dos grupos governistas e de oposição que Weverton Rocha, apesar de jovem, é hoje uma das principais lideranças políticas do estado.

Em torno da sua pré-candidatura gravitam deputados estaduais, deputados federais e vereadores [da situação e da oposição]; quase uma dezena de partidos, dentre eles o PC do B, do governador Flávio Dino; e 128 prefeitos que, segundo o próprio pedetista, já sinalizaram positivamente no sentido de acompanha-lo nesta jornada.

Entre os quatro pré-candidatos ligados a Dino, Weverton é, sem dúvida, o que se apresenta, pelo menos até o momento, com totais condições de compor a chapa senatorial do Palácio dos Leões.

Confira a entrevista com o líder do PDT na Câmara Federal.

Blog – Deputado, porque o senhor quer ser senador do Maranhão?

Weverton – É importante explicar que em disputas de vagas majoritárias ninguém é candidato de si próprio, portanto a pré-candidatura ou candidatura não nasce de um desejo individual. Meu nome é fruto de muita conversa e construção coletiva. A ideia inicial nasceu em uma conversa, em Timon, entre várias jovens lideranças. Concordamos que nossa geração precisa ocupar espaços políticos e trazer mudanças cada vez melhores para o estado. Nesse momento, o nome de consenso foi o meu. Depois disso começamos a realizar uma série de outras conversas com outras lideranças, jovens e experientes, até que o projeto de pré-candidatura se consolidou. Portanto, quando falo que se trata de um projeto coletivo, você vê que estou sendo literal.

Blog – O senhor, desde o ano passado, vem realizando encontros com a classe política em várias regiões do estado. Hoje, de fato, o projeto Weverton Senador conta com o apoio de quantos prefeitos e prefeitas, por exemplo? Quantos partidos já estão fechados com a sua pré-candidatura?

Weverton – Uma fala é recorrente em todos os encontros: pela primeira vez a candidatura de um senador está sendo construída nas bases e não imposta por decisão tomada a portas fechadas. Talvez por isso, tenhamos conseguido tantas adesões. Os prefeitos sentem que são representados, respeitados, ouvidos. Com isso, hoje temos a sinalização de 128 prefeitos dispostos a marchar conosco nessa jornada. Quanto aos partidos, temos o PDT, que já fechou questão em torno do meu nome, e conversamos com vários partidos, então em 2018 com certeza teremos um leque de alianças sólido o suficiente para um projeto dessa envergadura.

Blog – Dentre os pré-candidatos ao Senado pelo grupo do governador Flávio Dino, o senhor é o único que conta com o apoio declarado do PC do B, partido de Dino e que é comandado pelo secretário Márcio Jerry. Isso ajuda?

Weverton – O PDT e o PCdoB são partidos que historicamente sempre andaram no mesmo campo político, defendendo ideais semelhantes de justiça social, por essa razão o apoio do PDT ao PCdoB para o governo e do PCdoB ao PDT para o Senado é mais fácil de acontecer. O Márcio Jerry tem comparecido aos nossos encontros e traz sempre essa mensagem de afinidade entre os partidos, porque temos entendimento parecido do que queremos para o nosso estado e quando a gente caminha movido pelos mesmos ideais, o vento sopra a favor.

Blog – É verdade que o Flávio Dino já lhe chama de senador?

Weverton – O Flávio e eu somos democratas e sabemos que a eleição só é vencida na urna, por aqueles que recebem do povo essa missão. Então, sou deputado federal e pré-candidato ao Senado.

Blog – Outra situação interessante relacionada à sua pré-candidatura é o número expressivo de apoios de deputados estaduais e deputados federais. Segundo minhas contas, dos 18 federais, o senhor tem o apoio de nove, inclusive alguns pertencentes ao grupo Sarney. Como foi possível chegar a esta situação?

Weverton – Com muito diálogo. É a mesma situação do apoio dos prefeitos: trata-se de uma pré-candidatura que vem sendo construída com muita conversa, ouvindo a todos e tentando ser uma representação plural do nosso Maranhão. Como o projeto não é meu, mas de todos, é mais fácil haver identificação de um número maior de companheiros.

Blog – O deputado federal e também pré-candidato ao Senado, José Reinaldo Tavares, disse em entrevista recente concedida a este blog que iria, a partir de setembro, manter uma agenda política conjunta com o senhor. Ou seja, os eventos de suas pré-candidaturas irão se unificar. Procede? Em procedendo, qual será o formato deste trabalho?

Weverton – A companhia do deputado José Reinaldo é sempre bem vinda, mas não há perspectiva de unificarmos os eventos de pré-candidatura por agora. Os encontros que tenho feito pelo estado ganharam uma dimensão própria e de certa forma já nem participo da organização deles.

Blog – Quais projetos e ações o senhor pretende defender e abraçar como prioritários caso seja eleito senador ano que vem?

Weverton – O PDT, meu partido, tem duas bandeiras muito fortes: a educação e o trabalhismo, então estes são temas que sempre defenderei. Além disso, toda essa caminhada pelo Maranhão está ajudando a compreender ainda mais o estado, os anseios das pessoas, as prioridades, e a jornada terminará na consolidação de um projeto que vai representar o resultado de tudo que foi ouvido, dito e reivindicado. Então minha outra e principal bandeira será o Maranhão e suas pautas.

Blog – O senhor lidera na Câmara um partido que faz forte oposição ao presidente Michel Temer. Acreditas que, em algum momento, o presidente conseguirá obter a governabilidade necessária para terminar o seu mandato?

Weverton – Esse governo, que nem deveria ter começado, não tem condições de continuidade. A própria base governista está partida e o País imobilizado, tentando sair da crise aos trancos, com a força do empreendedor e do trabalhador, que insistem em produzir apesar das péssimas condições. No Congresso, o que vejo é um governo que tenta negociar cada passo que dá e faz isso da pior forma possível. Por isso, nós do PDT defendemos eleições imediatas para presidente, para que o povo possa decidir o rumo do Brasil e tenhamos um presidente com legitimidade.

Blog – O Ciro Gomes, pré-candidato do PDT a presidência da República, defendeu em recente visita a São Luís o sistema Distritão Misto. Na reforma política que tramita no Congresso, quais pontos o senhor defende e quais não aprova? O senhor é a favor do modelo Distritão ou do Distritão Misto?

Weverton – O PDT defende há muito tempo em seu programa o sistema Distrital Misto Entendemos que é o melhor sistema por permitir a coexistência da eleição do mais votado, forma de mais fácil compreensão popular, com eleição de nomes da lista do partido, o que permite o acesso à política de novas lideranças, representantes de minorias, pessoas que podem não ser ainda tão conhecidas, mas que tem grandes contribuições a dar. Infelizmente não há condições de implantação do Distrital Misto logo nas próximas eleições, por uma questão de logística. Daí que surgiu a possibilidade do Distritão com legenda, ou seja, a eleição dos mais votados, mas levando em consideração os votos para a legenda. E é importante preservarmos e valorizarmos os partidos, porque eles representam ideias. Então, pode ser uma opção menos danosa que o Distritão, que valoriza apenas o indivíduo, numa tendência messiânica de apostar no salvador da pátria, quando sabemos que política é diálogo, é consenso, e não bravatas individuais. O que precisamos é redefinir as regras para a existência dos partidos e reduzir esse excesso que existe no Brasil, com o surgimento de siglas de aluguel. Outro ponto que considero importante de ser tratado é a criação de um Fundo Público de Financiamento de Campanha. Entendo que a população rejeita a ideia de destinar recursos para a campanha, mas é preciso esclarecer que o fundo público ainda é melhor opção, porque a campanha não sai de graça, e se não houver uma origem clara, definida, transparente desses recursos, o caminho é o que vimos anteriormente, com o uso indevido de recursos públicos, misturado com interesses empresariais. O que podemos é discutir o valor da campanha, que precisa ser barateada, mas não há como fugir do fato que a democracia tem um custo.

Blog – Qual avaliação o senhor faz do trabalho desenvolvido pelos três senadores que, hoje, representam o Maranhão?

Weverton – Quem julga o político é o povo, portanto cabe a ele essa avaliação.

Blog – O senhor acredita que a ex-governadora Roseana será candidata ao governo ano que vem?

Weverton – Esta é uma pergunta que só Roseana pode responder. Ser candidata é um direito dela e é bom para a democracia que haja pontos de vistas diferentes disputando uma eleição. Mas acredito que o povo do Maranhão fez uma opção em 2014 que não tem volta. São novos tempos, nova forma de governar, que é reconhecida pela população. Tenho visto por onde passo a aceitação do governador Flávio Dino e isso, a meu ver, demonstra que não há espaço mais para o passado.

Blog – Sobre as possíveis candidaturas senatoriais do grupo Sarney, encabeçadas por Sarney Filho e Edison Lobão, qual a sua avaliação? O senhor as considera como candidaturas fortes?

Weverton – Todo candidato deve ser respeitado. Mas a força real de cada candidatura só poderá ser medida quando ela se concretiza. De qualquer modo, pela mesma razão que entendo que os ventos da mudança chegaram para ficar no governo do Estado, acredito que o perfil da representação do Maranhão no Senado também será diferente do que está hoje, haverá renovação.

Blog – Deputado, sobre os seus possíveis suplentes..é verdade que o senhor já teria convidado o empresário Francisco Oliveira, de Codó, para ser um deles? É verdade que o ex-prefeito de São José de Ribamar, Gil Cutrim, também está entre os possíveis suplentes?

Weverton – Não há conversa sobre suplente. Não é o momento. Estamos consolidando ainda um projeto de candidatura ao Senado. Definição de suplentes é um passo que ainda não foi dado, será discutido no tempo certo.

Blog – O senhor acredita que o governador Flávio Dino conseguirá eleger os dois candidatos ao Senado?

Weverton – Sim, acredito que o nosso campo político, com a liderança do governador Flávio Dino, irá eleger dois senadores. A população está muito afinada com a nova forma de fazer política no Maranhão e dará a resposta votando nos candidatos que representam essa nova realidade.

Blog – No primeiro semestre, correu nos bastidores uma informação dando conta de que o companheiro de chapa de Dino, em 2018, poderia ser uma indicação do PDT. É possível?

Weverton – O PDT tem uma prioridade na chapa majoritária que é o Senado, assim como O PCdoB tem a prioridade que é o governo. Há uma ampla aliança de partidos que compõe esse campo político, que está conversando e o preenchimento da vaga de vice será o resultado dessas conversas.

Blog – Na semana passada, uma nota divulgada na coluna Radar Online, da Veja, revelou que o governador Flávio Dino teria convidado a ex-presidente Dilma para transferir o seu domicilio eleitoral para o Maranhão e disputar o Senado pelo estado. O senhor acredita que isso possa se transformar em realidade?

Weverton – O que não falta é história, de todo tipo, em torno da eleição.

Blog – O senhor acredita que o governador Flávio Dino realmente está promovendo a mudança no estado que ele tanto prometeu na campanha de 2014?

Weverton – Claro que sim. Os números podem provar, mas acredito que mais importante que os números são os relatos dos milhares de maranhenses que estão vendo suas vidas melhorando, principalmente nos municípios mais pobres. O Flávio assumiu o governo num momento difícil da economia e da política nacional, mesmo assim, tem mantido os salários em dia e as contas do estado organizadas, melhorou a segurança e as condições dos presídios, devolveu a dignidade a milhares de estudantes que frequentavam escolas de palha e hoje assistem a aulas em instalações adequadas. Ele faz um bom governo e quem está na ponta sabe disso.

Blog – Qual a sua avaliação sobre a constante briga política envolvendo Flávio Dino e o senador Roberto Rocha?

Weverton – É uma pena que ocorra, porque o Maranhão precisa de toda ajuda que puder ser dada e ter um senador que foi eleito dentro de um projeto e se colocou fora dele é uma perda significativa.

Blog – O senhor acha, por exemplo, que Roberto Rocha age com ingratidão, uma vez que foi eleito em 2014 com o apoio de Dino?

Weverton – Quem vai avaliar se ele está sendo correto com o mandato ao qual ele se propôs a ter é o povo.

Blog – Atualmente, existe um movimento de vereadores que estão insatisfeitos com a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Alguns destes vereadores cobram compromissos firmados na campanha do ano passado e que, segundo eles me confidenciaram, teriam tido o aval e intermediação do senhor. Procede? Qual sua avaliação sobre isso?

Weverton – Todo mundo está acompanhando a crise econômica do País que está estrangulando os estados e municípios brasileiros. Apesar de toda a dificuldade, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior está conseguindo pagar a folha de servidores em dia e manter um cronograma de obras, como asfalto, na cidade. Não é uma tarefa fácil, mas ele tem conseguido. Ao mesmo tempo, ele sempre teve um bom diálogo com a Câmara dos Vereadores e se precisar que de alguma forma eu contribua com esse diálogo, estarei à disposição.

Blog – A sua trajetória política é interessante e vitoriosa. O senhor é oriundo do movimento estudantil, é de origem pobre e sempre militou no PDT. E, hoje, apesar da pouca idade, figura como um das maiores lideranças políticas do Maranhão, inclusive sendo reconhecido por pessoas do seu grupo e de grupos adversários. Foi difícil chegar neste patamar?

Weverton – Sou jovem, mas tenho a sensação de ter passado por uma longa trajetória, com momentos difíceis, claro, mas que contribuiu muito para a visão de mundo que tenho hoje. Sou filho de uma professora e de um técnico agrícola, pessoas que sempre lutaram muito e ensinaram a todos os filhos a lutar por seus ideais, por uma vida melhor, por um mundo melhor. Depois tive a honra de conviver com Jackson Lago, Neiva Moreria, Leonel Brizola, personalidades brilhantes que me ensinaram muito de política. Militei no movimento estudantil, carreguei bandeiras – físicas e ideológicas, visitei o Maranhão todo e até o Brasil todo, pelo movimento estudantil e quando trabalhei no Ministério do Trabalho, com Carlos Lupi. São experiências muito fortes, que me marcaram, me ensinaram, aumentaram minha sensibilidade para os problemas que as pessoas vivem. De certa forma sou uma prova viva que todos podem realizar seus sonhos se tiverem oportunidades. É por isso, aliás, que defendo oportunidade para todos e fiz dessa defesa o nome dos encontros que estamos realizando pelo Maranhão.

Blog – A eleição é só em 2020, mas vale a pena perguntar: o PDT vem, há anos, sendo protagonista no pleito municipal em São Luís. Para a sucessão do prefeito Edivaldo, o partido lançará, mais uma vez, candidatura própria? Ou existe a possibilidade de apoiar um nome de outro partido alinhado ao grupo político que o senhor faz parte?

Weverton – Uma coisa de cada vez. Temos uma grande eleição em 2018 para enfrentar. Estamos concentrados nela agora.

Blog – Deputado, fique a vontade para as suas considerações finais…

Weverton – O Brasil vive um momento muito delicado, que tem prejudicado em especial os estados dos Nordeste, cujas economias são mais frágeis. Então tenho focado muito minha energia em exercer a liderança do PDT na Câmara dos Deputados em defesa dos que trabalham, porque não podemos deixar que tantas conquistas, feitas a muito custo pela população, sejam perdidas.

Do Blog do Glaucio Ericeira .

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